"O Vale Tudo do Balzac"
Vale tudo estreou e as primeiras impressões é que tem um forte apelo time de marketing e a estratégia da Rede Globo que só se preocupa em provar, que essa versão atual será um sucesso tanto quanto foi a primeira versão.
O folhetim escrito pelo sagaz escorpiano e Balzac da Televisão, Gilberto Braga que não está mais entre nós. Foi inspirado após um diálogo familiar dele, e onde estão os valores e os escrúpulos dos brasileiros ou a falta de, para subir na vida.
Manuela Dias procura retratar bem atualizando os temas atuais como agressão contra mulher, após o revide do tapa da heróina Raquel e o trabalho infantil com a Raquel vendendo lanches sem as crianças na praia. A autora já mostrou para o que veio dando um norte na dramaturgia desde o sucesso "Amor de mãe" em tempos de pandemia.
Reconhecimentos creditados à parte, o "Vale Tudo" da emissora está fazendo reparação histórica com o protagonismo preto e a descrepancia de atuação da Tais Araújo para Bella Campos com a sua Maria de Fátima, personagem que leva uma uma motivação coerente da ambição coletiva da geração atual, ser influencer, aliás termo atualizado da outra Geração "Celebridade" - outro folhetim homônimo do Balzac, o Gilberto.
Cenas dramáticas da Taís a todo custo, excessos de choros e todo mundo só comentando "vai ser um grande sucesso" ou "ela entregou tudo" e "a novela vai se consagrar como a primeira versão". São comentários excessivos nas plataformas digitais, como se não soubéssemos quem está por trás dessas mensagens.
Mas a preocupação real do "Balzac" era questionar uma consciência de valores dos brasileiros, buscar a reflexão do caráter, honestidade, garra e felicidade apesar de ser muito difícil ser brasiliano ou brasiliense que seria o termo correto, ao invés de "brasileiro" o adjetivo que indicava profissão: tirador de pau-brasil. Pois como tal, eram designados esses homens criminosos, banidos para o nosso país por Portugal, e o adjetivo tinha significado pejorativo e por isto ninguém queria chamar-se 'brasileiro'.
A minha indagação com o "Vale Tudo" e a comparação em referência ao sucesso e a atuação das atrizes que honestamente são incomparáveis com Gloria Pires e Cretina Duarte, ops, Regina Duarte a namoradinha e intérprete de primeira qualidade, porém negacionista, burguesa e claro partidária de direita.Apesar que direita e esquerda são tão questionáveis atualmente.
E que se a emissora e seu agressivo time de marketing se preocupasse com a obra e a "mensagem" em si, talvez dará certo para segunda fase e a finalização da novela que poderá enfim não deixar a desejar e evitar comparações criando um caminho outro, o da conscientização na influência de fato dos valores dos brasileiros como foi a preocupação do Gilberto Braga naquela atual conjuntura do país que estava vindo de uma redemocratização e o resgate da consciência de princípios e valores não vazios e partidários e sim coletivos.E para finalizar a referência que citei todo tempo nesse texto foi Livro do Arthur Xexéu e Maurício Stycer que conta a história do Gilberto Braga o chamando de "Balzac da Globo" em seu livro.
A hermenêutica do Balzac é por ele ser considerado um dos autores mais geniais da literatura também pela construção de seus persongens. Criava-os complexos e originais, e recusava-se a atrelar seus destinos ao que "era esperado" na época. Ousou ao dar um final feliz a Vautrin, um personagem amoral, corrupto e criminoso.
O que acontece em Vale Tudo com a Maria de Fátima que se dá bem no final.
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