Inserção







Após tomar um delicioso chá, com total referência ao universo inglês de não menos qualidade ao da rainha, o texto e direção de Ailton Guedes, indaga as memórias emotivas do personagem e do ator, tornando híbridas a respeito de Oscar Wilde: sua vida, sua luta e seu legado, muito bem orientado por Luiz Fernando Marques, vulgo Lubi.

Longe de parecer clichê a referência da luta e hoje também comercial LGBTQ+. O santista Ailton Guedes percorre os caminhos de Oscar Wilde, trazendo a esse monólogo criando um ambiente cotidiano e íntimo a princípio - não só pelo chá. 

A cenografia simples de Heron Medeiros e confecção de figurino ligeiramente clássico de Waldir Corrêa com uma dose de feminilidade ao seu salto 15 centímetros do ator não menos baixo, usa. 

Fica claro a percepção em dimensões de realidades "piscianas"-signo do ator Ailton, tratando o universo homossexual, com doses excitantes nas singelas palavras advinda por uma direção discreta a paixão por Wilde. Enfatizando ao retratar a absurda condenação de Oscar a pena de 2 anos de prisão.

Separados por mais de um século, as emoções, e conexões colocadas sobre a lente de Ailton no monólogo, o artista com sua reflexão de quem assiste, questionam o que é real e noções de tempo e espaço, se é que existem.

Sobre a direção de Arte e figurino Nadine Trzmielina abusa de elegância e ótimo gosto musical no final do espetáculo, com músicas do Freddie Mercury no homônimo grupo Queen, " We are the Champion". A plateia vai ao delírio e quase impossível de ser contida ao ouvir um clássico do rock.




Por fim, um monólogo interior muito bem elaborado e empático, desconstruindo  a resistência do maior homofóbico "heterossexual" causando empatia ao respeitar aquele amor. Não só tratado por rainha Elizabeth 2 ao entregar a carta de Oscar Wilde ao seu amor, mas uma nova consciência aos ideais impostos por um grupo amargo e sem amor, sem sorte talvez e ausente de afeto, nessa dimensão ou em outras camadas dimensionais vão poder experimentar.

Após sair do espetáculo, notei que também podia fazer igual. Identificando a emoção ecoada familiar vista em cena, ativaram com clareza minha habilidade em poder também contar história atuando. 

Hoje o Ailton sabe a importância de eu o ter assistido, e aquele espetáculo ter ativado minha consciência artística adormecida, pois todos nós nascemos com a auto expressão por ser uma produção da alma humana.





Mas acabando o espetáculo, precisei sair correndo para não perder o ônibus (mas deu tempo para uma fotinha rs), e só meses depois na entrevista do Momento de Expressão, contei ao Ailton e o público o divisor de águas daquele dia em diante e o sonho que havia tido com ele e a peça teatral que assistira.

No sonho, eu assistia uma peça teatral. Acabava o espetáculo, aplaudia com o público. Mas, como todo sonho não é claro, eu estava junto no público eu estava na caixa cênica próximo ao proscênio e recebia uma ligação de um amigo (que eu não sabia quem era) agradecendo eu ter ido o assistir. E perguntava: "o que eu queria como retribuição e ele me daria?" - Eu respondia se pudesse ser uma quantia e imediatamente o mesmo transferia. Eu saía gritando pois era um valor expressivo e correndo contando para minha mãe, e no sonho ela confirmava dizendo: " É assim mesmo meu filho quando Deus quer ele usa quem ele quiser ".

 Acordei...

Por coincidência o Ailton já era meu amigo no Facebook, mas como toda relação digital nunca havíamos conversado até a divulgação da peça: " A pena de Wilde", apareceu na minha timeline e naturalmente nestes tempos modernos nao devia. Como mencionei: não curtia as coisas dele, portanto o algoritmo não sugeria publicação alguma a seu respeito.




Imediatamente o interesse em assistir uma peça teatral gratuita na Oficina Cultural Oswald de Andrade era uma oportunidade única. Aqueles dias eram difíceis, morando na casa da minha antiga cabeleireira, pois fui cliente nos tempos de salários expressivos e outra realidade bancária. Há tempos não performava muito bem na área comercial e foi o hiato mais longo da recolocação.

Resumindo: fui ao espetáculo do Ailton, uma semana depois me inscrevi no curso de teatro onde rapidamente, após madrugadas de conteúdo exposto no Youtube do Antunes Filho, por outra coincidência - ou não, o Ailton fez o CPT do Antunes, somado aos livros da linha temporal da literatura e seus momentos. 

Minhas configurações foram reorganizadas e cada ação da minha vida, situações vividas, foram justificadas. O espetáculo " A pena de Wilde " e a " minha jornada "- Lumena corre aqui, 😂 resgatou minha identidade artística auto sabotada por anos, mesmo com todo o coletivo e as relações amorosas me levando paralelamente a arte. 

Mas essa história é uma outra....





Comentários

  1. Meu amado amigo, que honra ler esse luminoso e generoso depoimento seu. Saiba que seu olhar sempre brilhante e sua empatia e generosidade, me convidando a participar do delicioso papo no seu projeto Momento de Expressão também movimentaram muitas peças no meu interior. Obrigado pelo carinho de sempre e BRILHE meu amigo, porque como já disseram por aí: "gente foi feita pra BRILHAR"! E seja MUITO FELIZ!!! Bjão saudoso e repleto admiração!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"O Vale Tudo do Balzac"

"Golden Again"

Disciplina - "Ditadura Nunca Mais"