Clô





"Uma serpente maquiada" foi a primeira impressão ao entrar no teatro e deparar com uma mulher dançando com vestido vermelho lindo, próximo ao microfone. Sim, mulher! O ator Silvero Pereira passa bem longe "fetiche do travestismo'' explorado por Freud e Lacan. Embora, os termos: ' um homem vestido de mulher maquiado ' o caracteriza na mais rasa ignorância coletiva.

Em poucos minutos a descaracterização começa embalado de um hit angústia e suas emoções vividas por todos os nomes de travestis e transexuais citados, cuja abordagem faz parte da estética contemporânea da sociedade, direcionado de maneira inteligente por Jezebel De Carli.

Br-Trans comove o público não somente por uma sonoplastia bem elaborada, mas por presença da iluminação simples e oportuna direcionado a temática de cada ato da peça coordenado por Silvério, nas mudanças de personagens e seus codinomes escritos manualmente ao seu corpo e verbalizando a história de cada pessoa.

A ambiguidade ao retratar a força do homem e corpo andrógino em uma bota vermelha, Silvério embala uma trilha sonora sugestiva: " Masculino e Feminino " - ' Se Deus é menino ou menino' do Pepeu Gomes. Sem excesso vocal, mas escolha sagaz ao cantar tema coerente com o espetáculo, o ator transmite dor,3 com pitada de humor no dialeto travesti, arrancando risadas do público.

Uma forte referência a ditadura atual de modo " velada " Br-Trans retrata um tema delicado ao cotidiano de um universo próximo geograficamente, porém tão distante em suas inúmeras controvérsias dos movimentos sociais.

Meu interesse em o assistir, recorre após sondar o escritor do livro "Tons de Clô", a biografia do grande nome da moda brasileira: Clodovil. O jornalista Carlos Minuano soltou em uma conversa informal porém intimista no reveillon de 2019 no lançamento da sua outra biografia: "Raul Seixas: por trás das canções". O Silvero ser a primeira pessoa escalada para o filme do Clodovil, baseado no seu livro.




Meu interesse todos sabem, em poder também participar desse projeto, despertou-me um desejo em poder me aproximar do Silvero onde juntos estudarmos o personagem, sem qualquer dúvida na escolha em outros atores por parte da direção de elenco.

Em minha análise após estudo profundo sobre a personalidade emblemática como o Clodovil, o Silvero possui características de um Clodovil recente, maduro e já Deputado Federal. Eu ficando com o Clodovil anos 70 saído do interior de São Paulo buscando sua ascensão na moda.

No dia o Silvero estava visivelmente bem cansado e sua equipe do espetáculo hostil. Acabando não evoluindo na "amizade" e interesses em comum. O que não ausentou minha profunda admiração ao geminiano do dia 20 de Junho e toda sua trajetória artística.

O "Clodovil" não conseguiu nos aproximar, mas desde que recebi a última lembrança comparativa irônica, no meu curso de teatro por meu professor Alexandre Gatti, e meus Tons de Clô. Foi exorcizado a falta de perdão à meu pai batizando como Bruno Clodoaldo, e toda associação física e nominal ao Clodovil.





Cresci sendo hostilizado na escola por ter a língua solta acrescida uma inteligência consciente e ironia avassaladora. 
Portanto, cada associação intuitiva do mensageiro fazendo essa analogia, eu sofria muito e questionava a resposta simplista do meu pai dera ao escolher o nome "Clô"/Clodoaldo ao possuir afeto estimado ao seu cunhado Clodoaldo, irmão da minha mãe.

Meu pai se foi em 2018, uma semana após ao evento traumático, onde perdi meus sentidos na cidade maravilhosa, retornando a Brasília dopado. Nunca consegui esclarecer de fato, a escolha hoje totalmente amada e honrosa.

Além do nome, nasci no mesmo mês do aniversário do Clô alterando apenas o dia, sendo ele dia 17, eu 22 de Junho, porém ambos da cúspide de Gêmeos, a "cúspide da magia". Somos filhos adotivos, e possuímos nossas mães, referenciais e nós como extensão aperfeiçoada, portanto honradas. Passamos por abuso na infância e o encaramos como uma espécie de eleição, para trilhar um caminho de "Homem" e não de "macho brasileiro", caminhos ligeiramente opostos. É claro, sem esquecer de trabalhando com Moda, ele na criação e eu no comercial ganhamos dinheiro, em proporções diferentes.




Por fim, somos homossexuais com imenso orgulho em ser GENTE ! Somos a bandeira LGBTQXYZ, indo na esquina comprar o pão, ou até aparecer no seu vídeo com nosso toque feminino. O Clodovil é de 1937 e o Clodoaldo de 1991, um morreu de modo especulativo o outro está buscando conhecer mais de si e o multiverso povoado por humanos segregando o SER, em homem e mulher.

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