A Festa Carnal




A Festa Carnal não me habita há anos, na verdade sempre encarei o carnaval como trabalho desde quando vendia bebidas para ganhar dinheiro quando criança, até quando me tornei adulto e podia aproveitar o feriado para estreitar reuniões de trabalho ou simplesmente: MEDITAR.

Analisando meu comportamento para alcançar êxito.


Acontecia nessas ocasiões de festividade e prazeres a mil, eu aproveitava para estreitar relações, afinal toda boa relação é um grande negócio.


Quando fui para o Rio de Janeiro tentar os portões do Projac em 2020 foi na mesma eclosão de um ano que mudaria para sempre nossa realidade e um novo jeito de ver o mundo, eu estava lá criando relações e contatos para minha ambição em ser reconhecido como artista.


O fato é que algumas relações foram cultivadas, regadas e outras não floresceram naturalmente. Outras, não foi um grande êxito comercial, mas foi um sucesso de troca e materialização artística.


A maior de todas conexões feitas por mim, e que Deus me trouxe foi o resgate da minha individualização no meio da multidão, a solitude sadia vivida de uma maneira tão particular e criativa onde jamais conseguirei expor nesses versos…


Estar só nas repúblicas onde morei cheguei morar com até 4 pessoas no mesmo quarto, com milhões de roteiros para entrevistas e negociatas com outros tantos artistas que já admiravam meu trabalho na vivência da pandemia, foi o maior tesouro que trouxe para esses tempos de "conexões" de mistura no outro de forma não saudável.


Até onde se deve imergir no outro ? 


Não existe receita para preceder o que cada relação ira te trazer, não há como blindar a membrana permeável em cada associação simbiótica de um igual que é uma extensão ou no mínimo um espelho.


A minha rasa e tão humilde alquimia nesse caso é ser o máximo e verdadeiro que eu posso ser, não esquecendo nunca quem sou eu e minhas vontades e sobretudo meu poder de escolha.


Quando chega a hora de se "afastar" ou se "desconectar" acontece algo lindo e único: a troca de pele. A camada que você experienciou no outro em você e a necessidade de individualizar-se como ser uno.


Tal processo é doloroso no outro, e claro não podia ser diferente com nós mesmos. A única diferença é que o outro berra, sangra e te odeia por isso…


E você também, mas sozinho !


A consciência egoista de querer essa troca viciante e simbiótica não pode se perpetuar. Onde fatalmente o "acaso"/Deus te obriga quando você não escuta a "voz interior"/Deus também, sinalizando você de que é hora de acabar.


O consciente coletivo não entende e se junta com esse antigo par para dar voz a única voz conveniente: " você não é uma pessoa boa " por romper e quebrar essa entropia que já não performa para si e também para o ser que te passou a odiar por fazer bem a ele.


O que é ser bom ?


Nunca fiz o menor tipo para pegar esse personagem, mas sempre quis ser honesto comigo e minimamente justo e respeitoso com outro.


Esse cacoete é quebrado por mim em cada relação fortuita ou despretensiosa, seja em festas como carnaval ou reuniões objetivas de trabalho.


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